A UEA QUE NÃO APARECE NAS REDES SOCIAIS OFICIAIS

Certamente que podemos estabelecer críticas acerca dos conceitos atribuídos aos cursos de nível superior a partir do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE), sobretudo em relação à composição das notas, ao foco no conhecimento abstrato, ao engajamento do estudante, etc. Mas o ponto aqui não é uma análise do ENADE, e sim uma análise da Universidade que busca se organizar em função de obter êxito justamente neste Exame. E aqui reside o problema.

A Universidade do Estado do Amazonas tem como carro chefe a interiorização do ensino superior, expresso inclusive na máxima: a maior universidade multicampi do Brasil. E realmente temos que chegar aos municípios do interior do Amazonas, com um ensino de qualidade e operacionalizando o tripé ensino, pesquisa e extensão.

A tese levantada neste pequeno texto é que a nota no ENADE, embora olhemos com ressalvas e cuidados, revelou, considerando especificamente os cursos de licenciaturas ofertados regularmente nos municípios do interior, o que ultimamente tem sido debatido com intensidade entre os professores compromissados com uma Universidade de qualidade: a urgente necessidade de uma política de interiorização criteriosa, estruturada e que atenda não somente aos critérios de avaliação externa, mas que caminhe ao encontro do desenvolvimento social e econômico do interior do Amazonas.

Enquanto esta política não for (re)formulada, a partir da base, alguns problemas perceptíveis e que impactam o processo de ensino, mas também a pesquisa e a extensão, persistirão. E que problemas são estes? Enumeremos para o debate:

  1. A ampliação da pós-graduação descobrindo a graduação. Partimos do pressuposto que não existe pós-graduação sem graduação. É fundamental fortalecer a graduação, não há como migrar para a pós deixando um vácuo ou uma sobrecarga de trabalho na graduação;

  2. A autonomia dos Colegiados é ponto fulcral. O diagnóstico e a solicitação da resolução de problemas administrativos, burocráticos e pedagógicos devem seguir um fluxo que tenha como ponto de partida esta base. Não há como as decisões virem de cima a baixo por um motivo básico: quem conhece a realidade do curso é o Colegiado e o seu Núcleo Docente Estruturante. Decisões que vêm de cima geralmente falham na base, além de contribuir para tolher a capacidade do Colegiado de ser criativo na resolução de seus problemas e dos aperfeiçoamentos pedagógicos necessários.

  3. A (re)criação de uma espinha dorsal que interligue, agregue e faça circular princípios, diretrizes e ações que fortaleçam a graduação, especialmente no que tange ao ensino;

  4. A (re)criação de condições para que o tripé ensino, pesquisa e extensão seja dinâmico e efetivo;

  5. A eliminação das descontinuidades existentes na Universidade, seja na gestão dos cursos, das unidades e até mesmo na gestão superior;

A triste avaliação do último ENADE é um indício forte de que os problemas acima elencados devem ser enfrentados e resolvidos. É necessário ouvir o interior, aprender também a receber as críticas e efetivamente dialogar horizontalmente com a comunidade acadêmica. Porém, é essencial caminhar para a ação, e ela é coletiva e com a participação dos Centros.

Sabe-se da necessidade de ampliar o corpo docente, que está deficitário. É urgente um concurso público que contemple recursos humanos para a pós-graduação e graduação. É extremamente necessário investimentos em infraestrutura (laboratórios, insumos, bibliotecas, etc.) para pesquisa.

Enfim, a avaliação do ENADE atestou que existe uma UEA que não aparece nas redes sociais oficiais e que é preciso mudar essa realidade.

Luciano Everton Costa Teles

Professor do curso de História do Centro de Estudos Superiores de Tefé